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Tuesday, March 2, 2021

Paixão pela noite


Eu não funciono pela manhã, nunca funcionei. Quando criança, estudava de manhã e a escola ficava tão longe que eu era a primeira criança que o Tio Jarbas (o motorista do busão da escola) pegava e a última que ele devolvia. Isso me obrigava a acordar mais cedo do que qualquer ser humano merece, especialmente uma criança!

Wednesday, January 23, 2013

O peso da leveza

Tá, eu sei que está parecendo uma série sobre leveza e que isto pode começar a ficar chato, mas prometo que este será o último com este tema durante um bom tempo.

Desde a semana passada tenho acompanhado, vivenciado e presenciado várias situações onde a exigência da leveza acaba tendo o peso de uma bigorna dentro de um acontecimento, em alguns casos uma bigorna como esta aí da imagem e ela desaba exatamente com a ponta afiada para baixo.
Concordo que o mundo anda muito violento, que as relações são frívolas, que andamos com o alerta ligado para várias coisas e que precisamos levar as coisas com mais leveza, calma, tolerância, tranquilidade ou qualquer outra palavra que você queira usar.

O que ando percebendo é que em alguns casos a exigência da leveza acaba pesando demais, existem situações em que não podemos ser leves e que talvez nem soe de forma adequada sê-lo, um exemplo bem exagerado seria tentar manter a leveza diante da tristeza da morte, não dá para exigir da pessoa que sofre a perda de alguém querido que ela encare a situação com leveza, ela pode enfrentar a situação com calma, mas com leveza é difícil, seria necessário um grau de evolução que quase nenhum ser humano possui.

Sendo menos radical tem os casos que é possível manter a leveza, mas que também podemos colocar o peso sem grande efeitos colaterais  neste bolo eu incluo relacionamentos amorosos, trabalho, amigos, prestadores de serviço, parentes, planejamentos da vida pessoal (regime, exercícios físicos, cuidados pessoais, beleza e etc), entre outros.

Pensando nesta relação leveza versus relacionamento amoroso, ao pensar em um relacionamento extremamente leve eu lembro dos hippies, logo em seguida lembro que vários deles viraram yuppies mercenários depois que abandonaram o movimento. Será que estes que abandonaram eram "leves" realmente ou apenas se forçavam a ser leves?

O problema da leveza nos relacionamentos normalmente costuma ser este, a pessoa é leve, leve, leve e de repente tem um surto quando o outro lado joga uma bigorna, ou o contrário acontece, a pessoa querendo um peso na situação surta com o outro lado levando tudo no "deixa fluir".

Na verdade penso que o mundo ideal deve ser composto de pessoas tão leves que sejam capazes de não serem contaminadas pelo peso da bigorna, porque uma tonelada de algodão pesa o mesmo que uma tonelada de bigornas

Será que assim as relações amorosas durariam mais?

Wednesday, December 19, 2012

VA Convida: Mas afinal o que é o amor livre? (Sabina Anzuategui)

filme "Novecento", de Bernardo Bertolucci.
Os atores são Robert De Niro, Stefania Casini e Gérard Depardieu
Aos dezesseis anos eu escrevia longas cartas semanais a um jornalista que era meu amor platônico. Às vezes ele respondia. Numa carta ele contou que tinha namorada e respondi: "Tudo bem, eu acredito no amor livre."

Eu era anarquista na adolescência, desde a leitura de "Colônia Cecília", por sugestão da professora de português. No romance, o amor livre não parece muito inspirador. O idealista Giovanni Rossi sofre suas dores de corno quando a esposa avisa que tem um interessado em colocar a ideia em prática. Mas o princípio me encantou: afinal de contas, por que não? Por que não estabelecer um acordo de liberdade mútua, com negociações claras e civilizadas nas variações de oferta e demanda? Ainda virgem em meu dia-a-dia de escola, casa e televisão, o amor livre parecia certamente mais elegante que adultos em crises de choro, bebedeira e barracos monumentais, aos berros no telefone e nas madrugadas.